Mecanismo de Ação

Na estratégia ortomolecular ou biomolecular o médico deve estar apto a descobrir:

  1. quais nutrientes essenciais estão em déficit;
  2. se existem metais tóxicos no organismo;
  3. como está funcionando o sistema endócrino;
  4. como estão os sistemas de excreção: intestinos, fígado e rins;
  5. se existe intolerância ou alergia alimentar.

O nosso primeiro desafio junto ao paciente é descobrir quais os nutrientes que estão faltando e o segundo desafio é descobrir se estão presentes elementos estranhos ao meio interno e às células. Muitas vezes a correção dos desvios encontrados é o suficiente para proporcionarmos o necessário equilíbrio metabólico / energético requerido para retornar novamente o paciente ao estado de saúde.

Esta primeira abordagem da Medicina Ortomolecular constitui-se nos rudimentos, na parte geral comum a todas as especialidades médicas. A sua aplicação aumenta a eficácia dos tratamentos convencionais ou complementares. O pensamento lógico, comprovado por inúmeros trabalhos científicos é simples: devemos introduzir nas células e no meio interno os elementos químicos que porventura estejam faltando e retirar os elementos em excesso, geralmente estranhos ao organismo. É fácil compreender que um organismo sem deficiências e sem substâncias a ele estranhas reagirá muito melhor a qualquer tipo de tratamento. E muito mais que isso: se o organismo estiver saudável, ele estará em melhores condições de assim continuar, pois todos os seus mecanismos de defesa estarão em condições ideais de funcionamento.

Todas as células do corpo produzem energia com a finalidade de fabricar vários tipos de moléculas necessárias para o seu bom funcionamento. Das centenas de substâncias que entram neste processo todas são sintetizadas pelo organismo, exceto cerca de 47 delas. Estas substâncias são chamadas de "nutrientes essenciais" e portanto o organismo deve recebê-las já prontas do meio externo. Isto quer dizer que necessitamos de um aporte nutricional adequado, em elementos essenciais, e não é difícil compreender que a falta de um ou mais desses elementos prejudicará o funcionamento das células e, consequentemente, do organismo como um todo.

Devemos ressaltar que as deficiências de nutrientes essenciais, tão frequentes hoje, coincidem com o alarmante aumento de várias doenças como: hipoglicemia funcional, depressão, astenia, hiperatividade, infecções de repetição, etc., incluindo as doenças degenerativas: aterosclerose, câncer e artropatias, que não mais estão se limitando à idade.

Na época que Casimir Funk cunhou a palavra vitamina, as deficiências dessas substâncias eram intensas e provocavam doenças bem definidas, com quadros clínicos completos e facilmente identificáveis como o escorbuto, a pelagra e o beriberi. Hoje o que habitualmente encontramos são deficiências vitamínicas parciais e portanto as expressões clínicas são incompletas e de difícil diagnóstico para o profissional não atento. E não estamos nos referindo às camadas de baixa renda, mas sim às pessoas de classe média ou alta. A maioria desses indivíduos se alimentam bem e se nutrem mal. Possuem quantidade, mas não qualidade.

A indústria alimentícia e as agro indústrias espoliam os alimentos de diversos tipos de nutrientes ao lado de a eles adicionarem metais e substâncias estranhas. A colheita, o armazenamento e o transporte de legumes, verduras e frutas nas condições atuais, reduzem drasticamente a quantidade de vitaminas e sais minerais neles contidos. Por outro lado e agravando a situação, está a pobreza do nosso solo em vários micronutrientes tais como: selênio, cromo, zinco, cobalto, manganês, etc.

Tudo isso vem ocorrendo após a era industrial, onde o organismo vem sendo submetido às substâncias alienígenas como conservantes, acidulantes, estabilizantes, edulcorantes, antioxidantes sintéticos, agrotóxicos e, particularmente a diversos tipos de metais como o chumbo, o mercúrio, o alumínio, acrescido da má qualidade dos alimentos ingeridos.