Doença de Crohn

A primeira citação cientifica da doença ocorreu em 1913, pelo escocês Dazliel, entretanto foi amplamente reconhecida quando Burrill Crohn e dois colaboradores descreveram vários casos em 1932.

A doença de Crohn é uma afecção crônica e inflamatória que afeta o intestino, principalmente no íleo terminal e cólon.

Os sintomas e tratamentos dependem do quadro apresentado pela pessoa, mas comumente pode ocorrer dor abdominal principalmente em volta do umbigo, náusea, vômito, diarréia, perda de peso e febre moderada. Esses sintomas poderão levar à sensação de distensão abdominal que piora com as refeições, inapetência alimentar e emagrecimento, mal-estar geral e cansaço. Nas fezes pode haver eliminação de sangue, muco ou pus. Poderão aparecer, apesar de raras, as crises respiratórias com ataques violentos de tosse, principalmente durante a noite, o que leva ao vômito. Em alguns casos pode ocorrer aftas, artralgias, eritema nodoso, conjuntivite secundária por inflamação nos olhos, tromboses ou embolias por problemas nos vasos sanguíneos e deficiência de ferro, vitamina B12 e ácido fólico.

As complicações possiveis dependem da repetição das crises e envolvem artralgias ou artrite, abcessos e fístulas (comunicações anormais que facilitam infecções), obstruções intestinais (devido à inflamação ou aderências de partes inflamadas dos intestinos e à formação de fibrose durante as cicatrizações), cálculos vesiculares (devido a má reabsorsão intestinal dos sais biliares), fissuras e abcessos anais, sangramento, perfuração intestinal com peritonite.

Essa patologia não apresenta cura, mas os tratamentos disponíveis, sejam clínicos ou cirúrgicos, permitem o alívio dos sintomas apresentados e a melhora na qualidade de vida.

A doença existe no mundo todo, é mais comum em caucasianos, sendo mais prevalente dos 20 a 40 anos de idade e um pouco mais comum em mulheres. A prevalência na América do Sul gira em torno de 0,5-0,8 casos por 100.000 indivíduos.

A sua etiologia não é completamente conhecida. Acredita-se que resulte da hiperatividade intestinal do sistema imunológico digestivo por ação de vírus ou bactérias, além de ter um componente genético. Ocorre então uma reação inflamatória descontrolada nas paredes do intestino. A doença evolui com a formação de granulomas e inflamação em setores distintos do intestino, intercalados de forma bem delimitada por outros completamente saudáveis. A doença avança intercalando períodos sintomáticos por outros sem sintomas, podendo avançar continuamente com agravamento das lesões, ou não ser progressiva, com a recuperação das regiões atingidas entre as crises. Sabe-se que metade dos doentes apresenta lesões tanto no ileo quanto no cólon, e que 25% apresentam as lesões somente no cólon.

Entretanto, é importante mencionar que embora esse quadro seja provavelmente desencadeado por agente infeccioso, a doença é devida a uma desregulação das defesas do próprio indivíduo devido a fatores genéticos e não será causada pelo microorganismo. Isso significa dizer que, em pessoas sem essa predisposição, esse microorganismo não causará a doença.

Além disso, cogita-se uma possível relação entre essa doença e fatores de fundo psicológico. Por isso, estudam-se fatores de ativação que levam à manifestação da doença, pois há indivíduos que a possuem, mas nunca a manifestam e há aqueles que a manifestam uma única vez na vida. A doença de Crohn pode estar em atividade (quando surgem os sintomas), inativa ou remissiva quando os sintomas cessam.

O diagnóstico por imagem é feito normalmente com a tomografia computadorizada, mas a melhor forma de confirmação é a colonoscopia, biópsias para pesquisar se há ileite, colite e retite, que mostra o quanto o intestino está inflamado. Dos exames de sangue, o ASCA e p-ANCA, podem ser usados no diagnóstico da doença, mas não são confirmatórios e são limitados devido ao seu custo elevado.

Depois de confirmado o diagnóstico da doença de Crohn parte-se para o tratamento que também inclui a dieta.

O tratamento depende da localização, severidade da doença, complicações e resposta aos procedimentos adotados anteriormente. Há que se reduzir a inflamação, corrigir deficiências nutricionais e aliviar os sintomas. O tratamento pode incluir medicação, complementos nutricionais, cirurgia ou a combinação das três. Os fármacos mais usados são imunossupressores como aminosalicilatos e corticosteróides. A cirurgia com excisão das regiões mais afectadas melhora o prognóstico dos casos mais graves.

Algumas pessoas apresentam intolerâncias alimentares à lactose, alimentos e condimentos picantes, chocolate, álcool, café e leguminosas. Desta forma o plano alimentar deverá ser individualizado, para manter ou recuperar o peso, incluindo os carboidratos e gorduras de acordo com a tolerância da pessoa, trabalhando com os seus hábitos alimentares e auxiliando na correção de carências nutricionais que se façam presentes.

Fonte: www.dicasdenutricao.com